Desde: 26.10.2020. Atual: 01.11.2020

Compilação sobre “pensamento conceitual” em obras de Vigotski

Org. Achilles Delari Junior

Achilles Delari Junior — pesquisador independente em psicologia

Contato: delari.base@gmail.com

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Produção independente

Pesquisa aberta

Para a prática terapêutica 

Traduções voluntárias

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Seção 1

Item 1.1

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Distinção e integração entre investigação lógica e psicológica

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Hegel toma a “representação” como objeto da psicologia e o “conceito” como objeto da lógica

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Em filosofia, em função do sistema teórico proposto e/ou adotado pelos autores, não necessariamente se pode tomar os “conceitos” como um processo “psicológico”, tal como ocorre no trabalho de Vigotski. Como problematização inicial, poderia destacar a posição do pensador dialético G. W. H. Hegel, para quem as “representações” podem ser tomadas como processo psicológico, mas não os “conceitos”, os quais são objeto de estudo reservado à lógica. Senão vejamos:


EM BREVE

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Também Hegel assume haver na psicologia tratamento para  o “conceito” e estágios que lhe são pressupostos

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Noutro momento, o filósofo, explicita que há diferentes maneiras de estabelecer estágios que seriam pressupostos do entendimento (ou faculdade do entendimento), também referido como “conceito” (ou faculdade do conceito), de acordo com a ciência na/pela qual ele é tratado. Como no caso da “lógica pura”, da “psicologia”, da “fenomenologia do espírito” e da “lógica transcendental”. Até o momento não identificamos de quais pensadores em psicologia, nesse momento histório (entre 1812 e 1816), Hegel poderia estar levando em consideração. Mas nos parece relevante, que já então, do ponto de vista de diferentes campos do saber filosófico, se assumisse “estágios” como pressupostos para o “entendimento” ou “conceito” como tal. O que na psicologia de Vigotski, obviamente não é colocado nos mesmos termos, mas pode passar a ser considerado não como uma busca totalmente inédita ae/ou isolada.


“No que concerne, primeiramente, àquela relação do entendimento ou do conceito com os estágios que lhe são pressupostos, é importante saber qual é a ciência [em] que é tratada para determinar a forma daqueles estágios. Em nossa ciência, enquanto lógica pura, estes estágios são o ser e a essência. Na psicologia, são o sentimento e a intuição e, a seguir, a representação em geral, que são colocados antes do entendimento. Na Fenomenologia do espírito, enquanto doutrina da consciência, ascendeu-se ao entendimento pelos estágios da consciência sensível e, depois, da percepção. Kant antepõe ao entendimento apenas o sentimento e a intuição. Ele mesmo já dá a conhecer quão incompleta, inicialmente, é essa série de estágios pelo fato de que ele ainda acrescenta à Lógica Transcendental, ou seja, à doutrina do entendimento, um tratado sobre os conceitos de reflexão - uma esfera que está entre a intuição e o entendimento ou entre o ser e o conceito” (Hegel, 1812-16/2018, p. 46-47, itálico na fonte, cor e sublinhado acrescentados - ADJr)


Hegel, G. W. F. (1812-16/2018) Ciência da lógica. 3. A Doutrina do conceito. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco. 399 p.

Com o intuito de organizar explorações posteriores, apresento parte da mesma citação como diagrama, logo abaixo:

Há relação

do:

com:

entendimento ou conceito

estágios que lhe são pressupostos

Relação tratada em diferentes ciências

  • Na lógica pura
  • Na psicologia
  • Na Fenomenologia do espírito

Os estágios pressupostos são:

  • o ser
  • a essência
  • o sentimento
  • a intuição
  • a representação em geral 
  • a consciência sensível
  • a percepção

E então:

  • o entendimento ou conceito
  • o entendimento ou conceito
  • o entendimento ou conceito
  • Na Lógica transcen-

   dental ( de Kant )

[ a princípio: ]

  • o sentimento
  • a intuição

[ depois acrescenta: ]

  • os conceitos 

    de reflexão

  • o entendimento ou conceito

Da perspectiva lógica à psicológica

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Vigotski e o conceito na formação de grupo de prontidões

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“Como mostra a investigação, a medida de generalidade é o momento primeiro e fundamental em qualquer funcionamento de qualquer conceito, assim como no vivenciamento [perejivanie – ADJr.] do conceito, como se pode ver pela análise fenomenológica. Quando nos mencionam algum conceito, por exemplo, ‘mamífero’, nós o vivenciamos [perejivaem – ADJr.] da seguinte maneira: somos colocados em um determinado ponto da rede de linhas de latitude e longitude, ocupamos uma posição para o nosso pensamento, recebemos o ponto inicial de orientação, experimentamos a disposição de nos movimentarmos em qualquer direção a partir desse ponto. Isto se manifesta no fato de que qualquer conceito que surge isoladamente na consciência forma uma espécie de grupo de prontidões.” (Vigotski, Pensamento e linguagem, 1934/2001, p. 367)




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Nossos afetos atuam em em sistema com nossos conceitos

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“Em termos simples, nossos afetos atuam num complicado sistema com nossos conceitos e quem não souber que os ciúmes de uma pessoa relacionada com os conceitos maometanos da fidelidade da mulher, são diferentes dos de outra relacionada com um sistema de conceitos opostos sobre a mesma coisa, não compreende que o sentimento é histórico, que de fato se altera em meios ideológicos e psicológicos distintos” (Vigotski, 1930/1996. Sobre os sistemas psicológicos. p. 127 - grifo meu).

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Vigotski e o conceito como meio para conhecimento da realidade

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Ainda estou compilando materiais particularmente emblemáticos, e nem todos os fragmentos estão já numa articulação mais rigorosa. O que mencionarei em seguida poderia estar em outras seções. Mas pode ter lugar provisório aqui, por dizer respeito ao aspecto cognoscitivo do conceito, do “pensamento em conceitos”. A psicologia trata do desenvolvimento dos processos de generalização da realidade pelo ser humano mediante a palavra, do ponto de vista de sua integração com um conjunto de relações interfuncionais, e assim com toda formação da personalidade consciente. Isso envolve aspectos afetivos e intelectuais, cuja integração mais eficaz pode permitir um conhecimento mais adequado da realidade, ao longo do desenvolvimento. Nessa direção, não abstraídos os aspectos afetivos envolvidos, a citação abaixo pode nos mostrar algo da visão vigotskiana quanto à objetividade da generalização da realidade que podemos obter mediante o “pensamento em conceitos”:

“O pensamento em conceitos é o meio mais adequado para conhecer a realidade porque penetra na essência interna dos objetos, já que a natureza dos mesmos não se revela na contemplação direta de um ou outro objeto de modo isolado, senão em meio dos nexos e das relações que se põem a manifesto na dinâmica do objeto, em seu desenvolvimento vinculado a todo o resto da realidade. O vínculo interno das coisas se descobre com ajuda do pensamento em conceitos, já que elaborar um conceito sobre algum objeto significa descobrir uma série de nexos e relações do objeto dado com toda a realidade significa incluí-lo em um complexo sistema de fenômenos” (Vigotski, L. S. 1931/2006, p. 78-79).

Item 1.2

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Unidade comunicativa e semântica no pensamento conceitual

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Trazer sobre “Todo conceito é uma generalização”



“Обобщение и значение слова суть синонимы.” (Vigotski, 1934, p. 261)


“Generalização e significado da palavra são, em essência, sinônimos” (Vigotski, 1934/2007, p. 426 – trad. nossa)


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Trazer sobre “comunicação e generalização”

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EM BREVE


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Trazer sobre “comunicação e generalização”

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EM BREVE




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Item 1.2

Unidade semântica e sistêmica no pensamento conceitual

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EM BREVE




Frag_1.3-02 |

EM BREVE


Frag_1.3-03 |

EM BREVE




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Item 1.4

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Unidade intelectual e afetiva no pensamento conceitual

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 Aprendizagem de formas de pensar inclui sentimentos

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Na visão de Vigotski (1930/1996), quando nos é ensinado/aprendemos um “sistema de conceitos”, simultaneamente adquirimos uma “forma de pensar” que, por sua vez, “inclui também um sistema de sentimentos” (Vigotski, 1930/1996, p. 1__).


“Não sentimos simplesmente: o sentimento é percebido por nós sob a forma de ciúme, cólera, ultraje, ofensa. Se dizemos que desprezamos alguém, o fato de nomear os sentimentos faz com que estes variem, já que mantém uma certa relação com nossos pensamentos. Com eles sucede algo parecido ao que ocorre com a memória, quando se transforma em parte interna do processo do pensamento e começa a ser denominada memória lógica. Assim como nos é impossível distinguir onde termina a percepção superficial e onde começa a compreensão em relação a um objeto determinado (na percepção estão sintetizadas, fundidas, as particularidades estruturais do campo visual e da compreensão), também no nível afetivo nunca experimentamos o ciúme [e a cólera, o ultraje, a ofensa...] de maneira pura, pois ao mesmo tempo estamos conscientes de suas conexões conceituais.” (Vigotski, 1930/1996, p. 126, colchetes nossos - ADJr.)

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 Emoções, autoconsciência, consciência da realidade.

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“A teoria fundamental de Espinosa (1911) é a seguinte. Ele era um determinista e, distinguindo-se dos estoicos, afirmava que o homem tem poder sobre os afetos, que a razão pode alterar a ordem e as conexões das emoções e fazer com que concordem com a ordem e as conexões dadas pela razão. Espinosa manifestava uma atitude genética correta. No {127:} processo de desenvolvimento ontogenético, as emoções entram em conexão com as normas gerais relativas tanto à autoconsciência da personalidade quanto à consciência da realidade. Meu desprezo por outra pessoa entra em conexão com a valoração dessa pessoa, com a compreensão [que tenho] dela. E é nesse complicada síntese que transcorre nossa vida. O desenvolvimento histórico dos afetos ou das emoções consistem fundamentalmente em que se alteram as conexões iniciais em que se produzem e surgem uma nova ordem e novas conexões.” (Vigotski, 1930/1996, p. 1__)

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 Sistemas de conceitos, sentimentos e valores culturais

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“Já dissemos que, como expressava corretamente Espinosa, o conhecimento de nosso afeto altera este, transformando-o de um estado passivo em outro ativo. O fato de eu pensar coisas que estão fora de mim não altera nada nelas, ao passo que o fato de pensar nos afetos, situando-os em outras relações com meu intelecto e outras instâncias, altera muito minha vida psíquica. Em termos simples, nossos afetos atuam num complicado sistema com nossos conceitos e quem não souber que os ciúmes de uma pessoa relacionada com os conceitos maometanos da fidelidade da mulher são diferentes dos de outra relacionada com um sistema de conceitos, não compreende que esse sentimento é histórico, que de fato se altera em meios ideológicos e psicológicos distintos apesar de que nele reste sem dúvida um certo radical biológico, em virtude do qual surge essa emoção.” (Vigotski, 1930/1996, p. 1__)

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Peculiaridades da desintegração da unidade afetiva e intelectual


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“Por conseguinte, as emoções complexas aparecem somente historicamente e são a combinação de relações que surgem em consequência da vida histórica, combinação que se dá no transcurso do processo evolutivo das emoções. Essa ideia serve de base para os postulados a respeito do que ocorre na desintegração da consciência devido a uma doença. São esses os sistemas que se desintegram nesse caso, e disto decorre a inabilidade afetiva do esquizofrênico. Se lhe disserem: “Você não tem vergonha, só um canalha se comporta assim”, permanecerá completamente frio, para ele isso não constitui uma enorme ofensa. Seus afetos se separam e agem à margem desse tema. Também é própria {128:} do esquizofrênico a atitude oposta: os afetos começam a modificar seu pensamento, sendo este um pensamento a serviço de interesses emocionais.” (Vigotski, 1930/1996, p. 127-128, grifos nossos - ADJr)

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Outros materiais por acrescentar …

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