Achilles Delari Junior — pesquisador independente em psicologia

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Sistematização conceitual

Desde 12.01.2020. Atualizada em: 06.05.2020

Excerto: Buscamos apoiar-nos na concepção de que a verdade é histórica. Não no sentido criticado por historiadores ao dizerem ‘não há verdade histórica’. De fato, a ‘verdade sobre a história’, quase sempre, é contada por vencedores das guerras e lutas humanas em geral, mostrando sua parcialidade e caráter ideológico. Entretanto, ao dizer “a verdade é histórica”, refiro-me justamente a que é ‘produzida historicamente’” (DELARI Jr., 2010/2020, p. 45).

Excerto: Vigotski deixa no horizonte a possibilidade da organização coletiva de nossa conduta moral (…). O que permitiria superar alguns velhos modelos pautados em “prêmio” e ‘punição’, que levam a uma moral da ‘submissão’, apenas para ‘evitar o desagradável’. Superar o que, no início, chamamos de “ética fraca” mediante a organização coletiva classista e radical.” (DELARI Jr., 2013, p.59)

Excerto: “Referimo-nos à “personalidade” como processo (dinâmico-estrutural) pelo qual o ser humano realiza relações pessoais junto ao mundo, aos demais e a si mesmo. Não redutível às reações, impessoais por definição, do organismo frente a diferentes modalidades de estímulos” (DELARI Jr., 2020, p. 56).

Excerto: A delimitação do ‘lugar’ deste tema, central ou periférico, no desenvolvimento atual e potencial da teoria, permanece objeto de disputas. Reitero, então, meu entendimento metodológico de que a noção vigotskiana de ‘drama’ situa-se ‘no limiar’, de que é um problema ‘na fronteira’ não apenas entre ‘psicologia’ e ‘arte’, mas também entre a ‘psicologia atual’ e a ‘futura psicologia’ - ou ‘ciência do novo homem’ (DELARI Jr., 2011, p. 184)

Excerto: Deduz-se daí que o trabalho com artes junto a pessoas sob a designação de “loucos” (…) seria então o de lhes potencializar a mesma loucura, estando a arte nela implícita. Sob minha ótica, gostaria de disputar essa apreciação tanto sugerindo um caráter não excludente da figura de linguagem posta em jogo na relação “arte e loucura”, quanto questionando alguns de seus desdobramentos semânticos relativos à práxis terapêutica” (DELARI Jr., 2008/2020, p. 4)

Excerto: Quem sofre, vive isto a sua própria maneira, por vezes mais dolorosa e desesperada do que outras pessoas que passassem por situações externamente similares. Por vezes, sofre-se sem explosões ou pedidos de ajuda, mesmo sentindo-se implodir e desmantelar. Mas todo e qualquer sofrimento, como todo e qualquer processo afetivo-intelectual, não pode ser apenas ‘de alguém’, mas também ‘com relação a dada realidade’” (DELARI Jr., 2017/2020, p. 7).

Excerto: práticas sociais psicoterapêuticas devem continuar sendo, de todo modo, psicologia na mesma orientação pela qual Vigotski procede sua teorização geral à gênese social do psiquismo propriamente humano. E não uma junção mecânica de alguns princípios seus com os de outros saberes quaisquer. ” (DELARI Jr., 2012/2020, p. 16)

Excerto: Os mesmos princípios de que me valia para trabalhar direta- mente com crianças num projeto de ação educativa coletiva que concebi e implementei por dois anos, com crianças do MST (entre 1998 e 2000) foram os que guiaram cada passo meu na lida com as crianças vítimas de violência e/ou com “suspeita” de terem sido vítimas de violência. Porém, é claro, com a necessidade imperativa de agir com bom senso e a ética substancial do humanismo marxista” (DELARI Jr., 2015/2020, p. 10)

Excerto: As relações com os outros não são, por lei alguma, impedimento de nossa liberdade, mas uma condição fundamental para que ela surja.Um ponto fundamental de relação entre brincadeira e desenvolvimento, como “caminho”, é que sua essência é promover o surgimento da imaginação como neoformação principal que se consolida ao final da da idade pré-escolar (por volta de 3 a 6 anos). E imaginar contribui para a liberdade” (DELARI Jr., 2013/2020, p. 13)

Excerto: O construto “zona de desenvolvimento proximal” [zona blijaishego razvitiia] constitui-se como aspecto específico de um sistema conceitual mais amplo, complexo e inacabado, desenvolvido por Vigotski em psicologia. Sistema que tem como categorias fundamentais: (a) a gênese social da “personalidade consciente”; (b) a “estruturação sistêmica e semântica da consciência”; e (c) os processos de “generalização da realidade” mediante a palavra, fundamentais para as relações genético-causais entre as duas primeiras” (DELARI Jr., 2020, p. 11)

Excerto: Talvez alguém veja ‘comunicação’ como [termo] inapropriado, porque a tradicional “teoria da comunicação” a define como relação mecânica “emissor-mensagem-receptor”. Embora, tal visão, definida como ‘ficção científica’ por Bakhtin (1952-53/1997, p. 290), nada tenha a ver com a concepção dialética materialista de Vigotski para o processo de comunicação verbal. ” (DELARI Jr., 2020, p. 4-5)

Excerto: “É preciso postular que o objeto da vivência seja sempre o mesmo, para se provar que seus sujeitos o sentem e entendem de modos diferentes? Não poderíamos considerar que aspectos objetivos da vida também são complexos, dinâmicos e diferenciados, na unidade dialética entre objetivo e subjetivo, em cada relação das pessoas com as demais?” (DELARI Jr., 2017/2020, p. 7)