Desde: 26.10.2020. Atual: 01.11.2020

Compilação sobre “pensamento conceitual” em obras de Vigotski

Org. Achilles Delari Junior

Achilles Delari Junior — pesquisador independente em psicologia

Contato: delari.base@gmail.com

Início

Produção independente

Pesquisa aberta

Para a prática terapêutica 

Traduções voluntárias

Partilha de arquivos

Seção 2

Sobre a distinção entre conceito na lógica formal e na lógica dialética

Item 2.1

[ topo ]

Elaborações de Vigotski

frag_2.1-01 |

Vigotski vale-se de termos próximos aos de Hegel

[ topo ]

No fragmento abaixo, ao que tudo indica, Vigotski está se referindo a como Hegel concebe o conceito, em sua obra “A ciência da lógica” o que se nomeia mais propriamente como uma unidade do “conceito universal” com o “particular” e o “singular” como momentos/aspectos do “universal” – não como “tipos” separados de conceituação. 



“O [um] verdadeiro conceito é imagem de uma coisa objetiva em sua complexidade. Tão somente quando chegamos a conhecer o objeto em todos os seus nexos e relações, tão somente quando sintetizamos verbalmente essa diversidade em uma imagem total mediante múltiplas definições, surge em nós o conceito. O conceito segundo a lógica dialética não inclui unicamente o geral, mas também o singular e o particular” (Vigotski, 1931/2006. Pedologia do adolescente. Cap. 10. p. 78 - trad. e grifos meus, ADJr.)

A esta elaboração quanto à multiplicidade de definições para uma da realidade objetiva em sua complexidade, podemos relacionar a de que “a definição de um conceito se baseia na lei de equivalência de conceitos e pressupõe a possibilidade de movimento de uns conceitos a outros” (Vigotski, 1933-34/2002, p. 377 - trad. e grifo meus, ADJr.). Segundo o mesmo autor: “esta lei estabelece: todo conceito pode ser designado por uma infinidade de meios por intermédio de outros conceitos” (Vigotski, 1933-34/2001, p. 364 - trad. minha, ADJr.). Tal proposição nos conduz ainda à da indissociabilidade de dado conceito com relação a todo um “sistema conceitual”. 


frag_2.1-02 |

Com lógica dialética se distingue “complexos” e “conceitos”

Na citação seguinte, o autor sugere que o “campo da experiência” ao qual a generalização da realidade se refere, tem relação causal com a  possibilidade de produzirmos quanto a ela um pensamento propriamente conceitual ou não. Se tal “campo” é for o da “experiência cotidiana”, isso implicaria em que nossos conceitos relativos a ela não poderiam ser considerados como tais, exceto se definidos sob a ótica da lógica formal. O que nos dá a entender que venha a ser uma exigência da lógica dialética que só se possa pensar de modo realmente conceitual “campos da experiência” que se situem para além do cotidiano. Isso se torna um tanto obscuro, por o critério ser o objeto da conceituação e não seu modo de proceder. 



“Mas os próprios conceitos do adolescente e do adulto, uma vez que sua aplicação se restringe ao campo da experiência puramente cotidiana, frequentemente não se colocam acima do nível dos pseudoconceitos e, mesmo tendo todos os atributos de conceitos do ponto de vista da lógica formal, ainda assim não são conceitos do ponto de vista da lógica dialética e não passam de representações gerais, isto é, de complexos” (Vigotski, L. S. 1931-33/1934, p. 000; Vigotski, 1931-33/2001, p. 229; Vigotski, 1931-33/ 2007, p. 000).

Nota-se que não ficam nítidas as fronteiras entre o que pode ser generalizado de modo “propriamente conceitual” e o que só pode ser generalizado de modo “não ainda conceitual”. Digamos que olhar para estrelas num céu sem nuvens faça parte do meu “campo de experiência cotidiana”. Por que isso me impediria de pensar, no mesmo ato, sobre como se definem as estrelas em sua origem e propriedades físicas em distinção a outros astros, e assim por diante? A questão residiria em que, no meu modo de vida diário, não há exigência social quanto a pensar conceitualmente a natureza e assim não me vejo demandado a deter-me sobre ela buscando explicações sobre o que ela vem a ser? E em que isso seria diferente caso eu fosse professor de ciências naturais e estivesse em sala de aula com a tarefa social de explicar o surgimento e a estrutra das estrelas? 

Em todo caso, que me impediria de, “no meu cotidiano” transpor meus sistemas conceituais para minha experiência trivial de contemplar o céu e ao mesmo refletir e/ou estar consciente quanto a como os astros se formam? Não fica claro por qual motivo o fato de uma generalização tomar por objeto realidades e experiências cotidianas faria com que tal ato só pudesse ser conceitual numa acepção lógico formal para o termo “conceito”. Que um formalismo silogístico não chegue a ser um verdadeiro conceito é bastante plausível. Porém pode-se usar formalismos silogísticos num tribunal ou numa defesa de tese, o que é comumente chamado de “experiência cotidiana”. Talvez analisando outros momentos em que o autor se refere à esta questão sua posição possa ficar mais nítido. Sendo necessário retomarmos esse ponto posteriormente.



frag_2.1-n |

Vários fragmentos de “Sobre os sistemas psicológicos”

[ topo ]

EM BREVE

[ topo ]